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Visitar Veneza e não gostar de Veneza

Recentemente, após visitar Veneza, uma amiga dizia-me que não tinha gostado da cidade! Obviamente que demorei uns minutos a processar a informação e ainda tive uma breve apoplexia, quando ainda em taquicardia, lhe perguntei: como? Como? COMO?

A sério, como é que alguém pode não gostar de Veneza?!

Eu posso até entender que alguém tenha tido uma má experiência em Veneza. Primeiro, porque Veneza está cheia de gente. E mesmo quando não está cheia de gente, continuam a ser muitos os visitantes. Convenhamos, a cidade é demasiado pequena para tanta gente. Notem que estamos a falar de uma das cidades mais visitadas no mundo – em Itália, só perde para Cinque Terre. Estima-se que diariamente mais de 50 mil pessoas visitem turistas – é muito turista! Ainda mais quando os habitantes de Veneza rondam os 55 mil.

Depois, falamos de uma cidade onde tudo é feito a pé e via pontes. Não se esqueçam que Veneza foi construída sob canais, ou seja, aquilo que por terra demoraria 10 minutos caminhando, em Veneza pode levar o dobro, até se encontrar a ponte mais próxima. Isto, quando não nos perdemos durante o percurso, já que nem mesmo o Google Maps se orienta em Veneza! Já para não falar dos acessos, sempre com escadas e ruelas, onde carrinhos de bebés mal entram – imaginem, então, uma cadeira de rodas.

Além disso, se vão visitar Veneza no inverno, quando chove, correm o risco de ver a cidade alagada. Já no verão, sobretudo nos meses de julho e agosto, além do calor insuportável, preparem-se para o mau cheiro dos canais.

Contudo, nada torra mais a paciência a um visitante do que a luta entre paus de selfie, lojas de bugigangas e turistas a matarem-se para recriar a foto que viram no Instagram! 

Outro problema é que a maioria dos turistas chega a Veneza, chega de cruzeiro. Ou seja, nunca são grupos de três e seis pessoas: são magotes.

A atitude de muitos lojistas, empregados e donos de restaurantes também não ajuda. Muitos podem ser verdadeiramente antipáticos e os esquemas para sacar dinheiro aos turistas são muitos. Aliás, a histórias de contas astronómicas em restaurantes em Veneza são bem populares em Veneza – o meu conselho: comam só o que pedirem. Isso e saberem algumas palavrinhas em italiano – nem que seja por educação.

Posto isto, consigo compreender que alguém se sinta defraudado e até frustrado depois de visitar Veneza. Como se pode ver, não é uma cidade fácil, contudo, uma coisa é certa: não há duas Venezas no mundo.

Veneza

Dicas para visitar Veneza e gostar

Para mim, Veneza está entre as cidades mais bonitas do mundo. Em Veneza, todos os cantos contam histórias e são propensos a histórias. Na hora de visitar Veneza, atravessar a Piazza de San Marco é uma obrigação. Para os mais pacientes (ou visitam Veneza com mais tempo), vale a pena entrar na Basílica e no Palácio Ducale. O que não pode deixar de fazer é fitar turistas e atravessar a Ponte di Rialto.

Cidades-do-veneto

Para visitar Veneza e apaixonar-se aqui ficam algumas dicas:

  • Evite ir durante as épocas altas
  • Evite também os fins-de-semana, pois os italianos também gostam de ir a Veneza
  • Fuja de Veneza durante o tempo do calor
  • Para mim, o melhor de Veneza está mais afastado da Ponte di Rialto ou da Piazza de San Marco. Por isso, caminhe e caminhe e caminhe – e perca-se muitas vezes. Pessoalmente, adoro a zona depois da Bienal. Aqui é possível encontrar uma Veneza mais tranquila, mais aldeia e onde a vida passa devagar, com crianças a brincar na rua e roupa estendida ao sol.

Veneza é uma aldeia

Se tem tempo e dinheiro, passe mais tempo na cidade, precisamente para apreciar as suas subtilezas. Por exemplo, ver os barcos-ambulância a passar em grande velocidade para acudir alguém – ou o barco dos bombeiros. E, claro, apreciar toda a logística que implica fazer uma mudança ou uma obra em Veneza; assim como ver a cidade inundada de crianças às 16h00, hora em que fecha a escola, etc.

Já agora, sabia que em Veneza o lixo é recorrido porta em porta, mas que os homens do lixo tocam à campainha para o recolher? 

Em outubro de 2019, enquanto nómada digital, tive a oportunidade de passar uma semana em Veneza e senti-me como se vivesse numa aldeia. Facilmente conseguia identificar quem vivia na cidade, assim como os hábitos e rotinas, como a hora do mercado ou do aperitivo. Além disso, era um prazer, terminar de trabalhar para ir depois aos museus e galerias. Tudo isto, sem grandes pressas ou atropelos! Isso e durante a noite, puder passear pelas ruas da cidade (quase) vazias!

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