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Visitar o Rio de Janeiro – o que um português precisa de saber

Facilmente se compreende porque tantos portugueses querem visitar o Rio de Janeiro! Afinal, além de todos os atractivos, monumentos e praias da cidade, esta cidade está profundamente ligada ao imaginário português – seja pela história ou pelo idioma! Além disso, é das cidades brasileiras que mais emigrantes portugueses acolheu! E, claro, há ainda as telenovelas.
Sim, também pelas telenovelas! Eu sou de 86 e apesar dos meus pais não me deixarem ver telenovelas, lembro-me perfeitamente de brincar às ciganas (obrigada Explode Coração) ou de dizer “caspita” (culpa da Terra Nostra) e, quando estava num bar em São Paulo, mesmo sem ter visto soube dizer,  que o António Fagundes na TV e que ele era o Rei do Gado. Além disso, seja pela MBP, seja pela Bossa Nova, visitar o Rio de Janeiro é também uma viagem por um sem fim de referências musicais. Assim sendo, eis algumas coisas para português saber!

1. O Rio de Janeiro é seguro?

vistar rio de janeiro

Desculpem se entro já a matar, mas esta tem sido a pergunta mais recorrente desde que aterrei no Brasil. Aliás, basta olhar para as estatísticas, onde o Brasil é o rei da violência (de roubos a homicídios), para entender o fundamento da questão.
Pessoalmente, andei tranquila. Obviamente que não andei com os rubis na rua, mas não me senti inibida na hora de andar com o telemóvel na mão.
Simultaneamente, também não estiquei muito a corda e, por exemplo, depois da meia-noite voltava de táxi para casa, em vez de caminhar.

2. Os bairros mais seguros do Rio de Janeiro

Se vão visitar o Rio de Janeiro, optem por ficar em bairros como o Leblon, Ipanema, Copacabana ou Botafogo. Estas são possivelmente as zonas mais seguras da cidade (e mais ricas) e ainda têm a vantagem de ficar perto da praia!
Durante a minha viagem no Rio de Janeiro, fiquei em Ipanema e para os bairros que mencionei antes, ia quase sempre a pé ou de bicicleta. O mesmo para a praia, obviamente.

 

3. A pobreza no Rio de Janeiro

Mesmo se optar por ficar em melhores bairros, vai ver pobreza. Sinceramente, não é nada muito diferente do que aquilo que vê em Lisboa ou noutra cidade europeia. Mas é um facto: mesmo em Ipanema há sem abrigos, assim como gente a pedir dinheiro.
Pessoalmente, o mais impactante na pobreza no Rio de Janeiro é ver que ela tem cor. Ou seja, não vão ver brancos a dormir à porta de cafés, nem a pedir dinheiro à porta do super-mercado ou a vender biscoitos na praia.

Por isso, se vai a um restaurante e sobra comida, leve-a consigo e ofereça-a a alguém na rua. Nem vai precisar de caminhar muito.

4. Nas praias do Rio de Janeiro

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Para começar, as praia do Rio não são nada de especial. Se querem praias de sonho, façam um passeio até à ilha Grande ou vão até Búzios, por exemplo. Contudo, não é por não serem excelentes, que não se pode aproveitar, certo?
Nota-se que quem vive no Rio, adoooora praia e é bonito ver que todos aproveitam como e sempre que podem. Sobretudo os que têm privilégio de viver nas proximidades. Embora não seja tão fria como em Portugal, a água não é nem piscina, nem quentinha.

A ideia que fica é que ir à praia no Rio de Janeiro é, mais que tudo, uma atividade social. As pessoas vão, levam as suas cadeiras (ou alugam – é super barato. Ronda os 5 reais) e ali estão. Já ao fim de semana, a praia ENCHE! Aliás, há quem chegue a fazer duas horas entre autocarros só para aqui chegar.

Outra coisa incrível é que é possível comprar tudo nas praias do Rio de Janeiro. Desde biquinis, quadros, pulseiras ou um sem fim de comida.

  • Nesse sentido, os biscoitos acompanhados com mate de limão (delícia) são um clássico.

Na hora de ir à água, convém sempre deixar alguém de olho na toalha ou pedir ao vizinho. Isso, e ir o mais despojado possível. Por exemplo, muitos cariocas nem chinelos levam. Aliás, esta é a melhor forma de identificar quem vive ao lado da praia.

Quanto as melhores praias do Rio de Janeiro, as de Copacabana são possivelmente as mais populares, pois o areal é mais extenso.

 

5. Visitar o Rio de Janeiro no inverno

Não se esqueçam que quando é verão em Portugal, é inverno no Brasil. Se no nordeste, em cidades como Recife ou Salvador isso não muda muito; no sul, faz frio. Quanto ao Rio, no pior do pior, a coisa chega aos 15 graus. No meu caso, estive no Rio em agosto (inverno aqui) e recordo-me que quando cheguei estavam 17 graus: eu de pernas de fora e muuuitos cariocas de cachecol e casaco de inverno!
Quando o tempo fazia cara feia, a coisa não durava muito., E, por norma, no dia seguinte está um sol lindo e as praias cheias. Durante as três semanas que visitei o Rio de Janeiro em agosto, deu para fazer muita praia, com as temperaturas a roçarem os 28 graus!

Outra vantagem de visitar o Rio de Janeiro no inverno é que por aqui é época baixa, logo as coisas são mais baratas!

 

6. O Rio de Janeiro é caro?

É, sim senhor! Mesmo comer num boteco é sempre para cima dos 10€. Até porque, em bairros como Ipanema, Leblon ou Copacabana, mesmo os botecos são em modo chique. Além disso, atracções como o Redentor ou o Pão de Açúcar são também carotes – cerca de 20€ (depende do cambio). Em contrapartida, o metro e os autocarros são acessíveis, com 1€ por viagem.
Ou seja, não vão para o Rio de Janeiro a achar que só porque é Brasil a vida é barata!

 

7. Transportes no Rio de Janeiro

Pessoalmente, não tenho nada a dizer do autocarro. Enquanto andei a visitar São Paulo, tudo funcionava na perfeição e bem coordenado com o Google Maps; mas no Rio, não. Ora o autocarro não aparecia, ora os números não coincidiam com o das paragens, enfim: foi para esquecer.
o metro subterrâneo e o de superfície (é novinho) deu para usar sem problemas.

Também vos aconselho a instalar a Uber ou o Cabify no Rio. Estas duas apps de viagem dão acesso a carros/táxis na cidade. Pessoalmente, ranhoso muito com a Uber, mas não percebi o que diferencia uma da outra! Em todo o caso, são duas apps úteis e não só para viagens noturnas. O Rio é imeeeeenso e de táxi facilmente podem transformar uma viagem de duas horas em 45 minutos.

De bicicleta no Rio de Janeiro

Seja para se deslocarem pela cidade ou para explorarem o Rio, suuuuper recomendo que instalem a app Bike Itaú. Com esta app, terão acesso às bicicletas públicas do Rio de Janeiro – melhor coisinha! Contudo, precisam de um cartão brasileiro para a instalar, pois a app não aceita cartões estrangeiros. Caso tenham um cartão de crédito, podem tentar os postos de bicicletas com monitor e fazer o pedido ali. Contudo, há poucos postos destes, na maioria é chegar com a app levar a bici e ir. Pagam 50 reais por mês e compensa muito.

8. Levem roupa de desporto

Daqui posso ouvir a sua gargalhada, mas vá por mim: há qualquer coisa no Rio de Janeiro que nos põem a todos a mexer. Por um lado, há aquele calçadão gigante, com vista para o mar e para as montanhas – lindo, lindo que só ele! E só isso, já dá vontade de caminhar ou correr. Depois, têm 7 km de lagoa, que podem fazer em modo pernas ou de bicicleta e que sabe muito bem!

Além disso, todos os dias, a todas as horas e minutos, verão gente de todas as idades a se exercitarem, o que dá sempre uma motivação extra. E tendo em conta que o Rio é uma cidade onde há verão quase todo o ano, na minha opinião, também deve motivar.

9. Visitar o Pão de Açúcar ou o Cristo Redentor?

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Pessoalmente, acho que os dois merecem a pena. Isto é, em podendo, visitem os dois! Mas seja por falta de tempo ou porque os bilhetes são caros, esta também foi uma das perguntas mais recorrentes. Assim sendo, eu opino.

  • Quanto ao Cristo Redentor, sem dúvida que é a imagem de marca da cidade. Além disso, se forem no bondinho, passam pela mata da Tijuca adentro. A vista, obviamente que é incrível, embora seja comum estar meio enevoado. O melhor de visitar o Cristo Redentor é que vos dá uma percepção real do Rio de Janeiro e da sua geografia. É, francamente, muito bonito. Chato mesmo é o sem fim de gente que ali se concentra e os seus mil sefies e poses, mas… vidas!

 

  • Já o Pão de Açúcar não é tão alto e como está num extremos tem uma vista mais limitada – por exemplo, não se vê a Lagoa. Em compensação, além de uma vista linda, é um spot lindo para passar umas boas horas, pois há cafés e restaurantes na zona. Pessoalmente, aconselho-vos ir no por do sol. Além disso, está dividido em duas estações, logo é mais espaçado.

Na minha opinião, se apenas pudesse ir a um, sem dúvida que voltaria ao Pão de Açúcar.

 

10. Comer no Rio de Janeiro

Embora todos os brasileiros apontem o dedo à falta de uma gastronomia carioca, para mim que é tudo comida brasileira. Logo, a resposta a isto é come-se muuuuito bem! Ao contrário de São Paulo, onde feijoada brasileira é servida às quartas e sábados, no Rio há feijoada todos os dias. Da mesma maneira, também é aceitável entrar num restaurante e comer a qualquer hora do dia!
Assim sendo, se podem comer feijoada ou picanha a qualquer hora, como ser infeliz? Isso e aqueles sucos maravilhosos e fresquinhos, assim como açaí e tapioca em qualquer esquina eram suficientes para me fazer feliz!

 

11. Falar português no Rio de Janeiro

E por português, entenda-se português de Portugal. Se em São Paulo, era o cabo dos trabalhos para em entenderem. Já no Rio, a coisa foi bem mais fácil. Afinal, é uma das cidades brasileiras com mais emigrantes portugueses. Ainda assim, recomenda-se falar um bocadinho mais devagar. Pelo menos, enquanto as novelas portuguesas não chegarem lá, é o que temos!

 

12. Compras no Rio de Janeiro

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Para quem quer fazer compras no Rio, a minha maior dica é aproveitar para comprar LIVROS! Os livros no Brasil são beeeem mais baratos do que em Portugal. Além de existirem mais editores, existem também muitas edições de bolso que valem a pena a compra. Embora não tenha visto nenhuma livraria Travessa ao nível da de São de Paulo, há várias espalhadas pela cidade.

Uma alternativa ainda mais barata é comprar livros nos vendedores junto ao metro. Se passarem no de Antero de Quental, no Leblon, aproveitem para mandar um beijinho ao Sandro!

 

13. Rio musical


Não sei se vos acontece de ter músicas associadas a viagens. Pessoalmente, acontece-me muito e pelas mais variadas razões. Por exemplo, durante a minha viagem ao Japão, a música da Frozen da Disney não me saía da cabeça (nem da lista do karaoke) ou o Happy, quando andei a viajar no Irão.

Na minha viagem ao Brasil, muitas músicas me acompanharam. Contudo no Rio de Janeiro, a música que mais me acompanhou pela cidade, foi o “Chega de Saudade” do João Gilberto – ainda mais cheguei ao Rio no fim de semana em que ele morreu (lagriminha). Assim sendo, se vão visitar o Rio de Janeiro preparem-se para todo um concerto – nem que seja porque o Garota de Ipanema toca por todo o lado!

 

14. A simpatia dos cariocas

Fiquei muito supresa quando me disseram que os empregados cariocas têm fama de mal-educados. Pessoalmente, tirando um restaurante, achei sempre toda a gente tão simpática. E muito, muito gentis – os brasileiros são uns fofos! Sempre de sorriso na cara, prestáveis, daquelas pessoas que ainda seguram portas e dão lugar – é bonito!

 

15. A actual situação política do Brasil

Obviamente que em 2019, Bolsonaro é um tema de conversa recorrente. Durante a minha visita ao Rio, pareceu-me que as pessoas já estavam cansadas do assunto e que preferiam nem comentar. Fosse por decepção ou por cansaço, já ninguém tinha muita pachorra para o tema.