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Viajantes Barrigudos: Viajar Porque Sim

Ana é tradutora e também a autora do site de viagens “Viajar Porque Sim“. Tradutora de profissão resolveu criar o blog de viagens para dar a conhecer experiências viagens diferentes. Ela é a Viajante Barriguda deste mês!

“Viajar é uma das minhas paixões. Viajo sempre que posso, na medida em que o meu tempo disponível e o meu orçamento o permitem.”

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Numa viagem a São Miguel, nos Açores

1. Sem ser a parte da sobrevivência, qual a importância da comida quando viajas?
A cozinha faz parte da cultura de qualquer região e eu gosto de conhecer e experimentar a comida típica de cada local. Tento comer o mais possível pratos regionais – excepto quando a comida não é assim tão boa quanto isso, e aí opto por algo mais “seguro”, como por exemplo a comida italiana (mas sem a parte do queijo…).

2. Já alguma vez escolheste um destino em função da gastronomia local?
Não. Mas há países que tenho andado a evitar precisamente pela razão inversa, pois já sei que quando lá for sou capaz de passar um bocado de fome – aqueles onde a comida é tradicionalmente picante, por exemplo. Tenho dificuldade em suportar a comida quando é muito picante.

3. Gastronomia/país que mais te surpreendeu no que toca à comida?
Tenho tido algumas boas surpresas (e menos boas também) no que toca à comida. Talvez a Grécia seja o país que mais me surpreendeu, pela qualidade e variedade da comida, aliada ao preço acessível. Também comi sempre muito bem na Costa Rica.

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Fachada da Catedral do Sangue Derramado, em São Petersburgo.

4. Melhor comida de rua 
Não sou muito de comida de rua, pelo menos lá fora. Em Portugal, pelo contrário, gosto imenso. Mas cá é tudo bom! Tirando gelados e outras coisas doces, não tenho grandes memórias de comida de rua em países estrangeiros, a não ser uma ou outra sanduíche e umas salsichas que comi precisamente na terra delas, em Frankfurt, e que achei piores que as nossas.

5. A melhor refeição em viagem 
Esta é uma pergunta de difícil resposta. A melhor comida do mundo é a portuguesa. Portanto, tudo o que se come lá fora perde sempre um bocado pela comparação. Ainda há dias, por exemplo, comi em Ponte de Lima um arroz de sarrabulho de ir às lágrimas (no bom sentido…). Ou umas lapas que me serviram há tempos num restaurante de Ponta Delgada, nas Flores. Ficava aqui a falar de comida apetitosa durante horas… Além disso, já são tantas as refeições e muitas foram tão boas que é complicado escolher uma. Apesar de ser muito esquisita com certo tipo de alimentos, em viagem (estranhamente) consigo sempre encontrar comida de que goste, mesmo quando a culinária local não é fantástica.

Lembro-me particularmente de umas lagostas grelhadas (lagostas pequenas, pouco maiores do que camarão-tigre) que comi na Martinica, cobertas com um molho típico (“sauce chien”) e acompanhadas de batatas recheadas, tudo absolutamente delicioso. Na Roménia, num alojamento local em Gheorgheni, serviram-nos uma sopa de tomate maravilhosa que até hoje não consegui reproduzir (sou fã de sopa de tomate, e toda a gente diz que a minha é excelente, mas aquela superou tudo). Também não me esqueço de uma baklava que tinham como sobremesa num hotel da Tunísia, com muitos frutos secos, sem dúvida a melhor baklava que comi na vida – e já comi muita, pois sou super gulosa.

6. A pior refeição em viagem
Entre algumas outras refeições medíocres que já comi, a que não esqueci – pela negativa – foi um arroz pilaf misturado com carne de vitela e de carneiro que me serviram num restaurante dentro do Topkapi, em Istambul. Não sou apreciadora da carne de carneiro, que tem já de si um sabor demasiado intenso, mas o daquela era especialmente activo e tinha “contaminado” todo o arroz e a carne de vitela, a tal ponto que até o cheiro agoniava. Escusado será dizer que não consegui comer nada…

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Bairro judaico em Castelo de Vide

 

7. A refeição mais cara 
Penso que a refeição mais cara que comi até hoje terá mesmo sido o jantar na Martinica, e de que falei lá em cima, no restaurante do hotel L’Anse Bleu, onde estávamos alojados. Já foi há muitos anos e não me lembro bem do preço, mas creio terá sido qualquer coisa como 60€ por pessoa (pelos preços actuais). E não bebemos vinho… Ainda assim, valeu bem a pena, a comida estava soberba.

8. A comida mais estranha até hoje e onde
Não tenho ideia de me terem posto à frente alguma vez comida realmente muito estranha. As refeições mais “diferentes” que talvez tenha comido terão sido os pequenos-almoços na Costa Rica. Além de muita fruta, tortillas e ovos mexidos, têm por hábito servir gallo pinto, que é nem mais nem menos do que arroz com feijão. É certamente uma maneira de começar o dia com muuuuuita energia.

9. Que comida mais sentes falta em viagem?
Fora de Portugal, sinto geralmente muita falta do nosso pão. Adoro pão (costumo dizer que podem dar-me só pão fresco com uma bela manteiga e um copo de leite frio, que e eu fico satisfeita! Não há muitos países onde o pão seja tão bom como cá – por vezes é tipo “plástico”, outras vezes é aquele pão de forma de saco, que eu abomino. Na maior parte dos países também sinto falta de um bom peixe grelhado.

10. Se tivesses de escolher um tipo de comida, para comer para sempre, seria:
Pasta – ou, em bom português, massa. De preferência com camarão ou mexilhão, e também adoro uma boa lasanha ou canelones. Mas nunca, jamais, com queijo.