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Guia para viajar na Indonésia

Com planos para viajar na Indonésia? Se vais viajar para a Indonésia é preciso que saibas primeiro que estás a viajar para um arquipélago composto por 17 508 ilhas! Sendo, que ali pelo meio, está Timor! Aliás, quanto a fronteiras, por terra faz fronteira com a Malásia (na ilha de Bornéu), Timor-Leste (em Timor) e Papua-Nova Guiné (na Nova Guiné). Já por mar, com as Filipinas, Malásia, Singapura, Palau, Austrália (ufff) e com o estado indiano de Andaman e Nicobar.

Eis o que precisas de saber antes de ir viajar na Indonésia!

  1. A multiculturalidade na Indonésia
  2. Bali
  3.  Transportes na Indonésia
  4.  De ferry na Indonésia
  5. Clima da Indonésia
  6. Comida na Indonésia
  7. A Indonésia é cara?
  8. O que visitar na Indonésia?
  9. As pessoas
  10. Viajar sozinho na Indonésia

 

1. A multiculturalidade na Indonésia

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Gili Meno, Bali, Indonésia

A Indonésia é o país com a maior população muçulmana do mundo, havendo inclusive um ministério dedicado às peregrinações a Meca! O que não significa que não seja um país super colorido, cheio de vida e dinâmico. Aliás, verdade seja dita, com aquele calor, só o bravo dos bravos, poderia andar de burka ou de vestes negras! Aliás, mesmo as mulheres mais conservadoras usam roupas coloridas, sendo o castanho do mais escuro que vi por lá!

Quanto à religião, a Indonésia é tida como um exemplo de tolerância religiosa. As religiões do país são: do Hinduísmo (religião dominante em Bali, por exemplo), Budismo, Confucionismo, Islamismo e Cristianismo. Aliás, estas são consideradas as religiões principais e os indonésios devem escolher uma, que constará inclusive no bilhete de identidade. No entanto, no país há mais religiões, assim como práticas espirituais, embora não sejam oficialmente consideradas.
Sinceramente, não notei qualquer tipo de conflito religioso. Pareceu-me que as pessoas se misturam e têm amigos (e familiares) de diferentes religiões. Aliás, todos pareciam ter claro que quando há problemas/conflitos são movidos mais por interesses financeiros – a chamada “inveja”, que pode ser também económica ou social. Quanto ao extremismo, muitos encolhiam os ombros.

 

2. Sobre Bali

De todas as ilhas, Bali é a menina bonita da Indonésia e as suas praias atraem todos os anos, milhões de turistas. Até porque há praias para todos os gostos: para surf, mergulho – vale a pena ir à Indonésia só para tirar o curso de mergulho, é suuuuper barato – festas, relax e muito mais! Além disso, está cheia de templos, cerimónias e superstições. Nos últimos anos, Bali tem-se convertido também na meca dos nómadas digitais, atraindo gente de todas as idades e nacionalidades, que faz desta ilha a sua base.

Embora tenha gostado de Bali, não foi o meu local favorito na Indonésia. Achei as praias das Gili melhores (e menos sujas) e Ubud é demasiado “wanna be” para o meu gosto, muito para turista ver. Pessoalmente, preferi o norte! Aliás, o bom de Bali é que basta alugar uma mota e ir explorar os arredores para encontrar paisagens bonitas – e com menos gente.

 

3.Transportes na Indonésia

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Munduk, no norte de Bali

Apesar da crescente popularidade dos voos domésticos, ainda não há assim tanta oferta a preços decentes. Além dos voos, é possível viajar pela Indonésia de ferry, comboio e autocarro. E, claro, aluguer de mota, que sempre ajuda a poupar!

Agora, pronto para a verdade? Pois bem, de uma forma geral os transportes públicos são uma caca! Mesmo em Bali, a tão turística Bali, ter de ir de táxi ou reservar um motorista para o dia é comum. Obviamente que isso sai caro – ou pelo menos, caro para um mochileiro ou para um viajante que quer viajar barato.

Exemplo:

Por exemplo, para ir até Munduk, no norte da ilha, desde o terminal de ferry, foram cerca de 40 euros para uma viagem de três horas – que acabou por demorar mais do dobro! Dias depois, de Munduk, no norte de Bali, até ao porto onde se apanha o ferry para Java (outra ilha) tivemos que ir de táxi até Seririt. Porquê de táxi? Ora, só há um autocarro por dia, que passava às 6 da manhã e como o autocarro vai sempre cheio, muitas vezes vezes, nem passava por Munduk. Obviamente, que tivemos de ir de táxi e dali apanhar um dolmus (umas carrinhas-táxi) para Gilimanuk, para aí apanhar o ferry para Java. Obviamente que estas coisas tardam! Ainda mais na Indonésia parece não haver horários definidos para nada! Isso e andar de porta em porta, a regatear viagens – sim, porque muitas vezes os táxis são carros particulares!

  • NOTA: isto são dicas para quem viaje com dinheiro contado. Isto é backpackers, gente low cost e que tem como mote viajar barato! Gente que não se limita a ir do hotel para a praia e que gosta de explorar para além das atracções turísticas, em tours organizadas. Nada contra se o faz, são apenas preferências! Nesse caso, e sobretudo em Bali, quase todos os hotéis asseguram serviço de carro – pagos à parte, claro está!

 

4.De ferry na Indonésia

Ora dediquemos ao ferry uma categoria. Afinal, com tantas ilhas viajar de ferry e ou de barco é uma prática comum no país.
Certamente, se pesquisaram sobre ferry na Indonésia, encontraram um sem fim de acidentes e mortes, certo?

Quando estava no ferry para Banyuwangui só pensava: “mas como é que esta coisa pode afundar e morrer gente?”. A sério, aquela foi a viagem de ferry mais lenta de toda a minha vida, tendo em conta a distância! Mas não é só a velocidade é água, pois em dias calmos, o mar é tipo piscina! E, convenhamos, não estamos no Ártico, ou seja, não é que se o ferry afundar, se morra de hipotermina! Assim sendo, como explicar não só tantos acidentes, como as mortes?

Já tinha lido que muitos ferrys afundavam, porque o peso ia mal distribuído (sem comentários!), mas só mais tarde descobri a razão pela qual muita gente morre – e é ainda mais estúpida! Como há viagens de autocarro entre as ilhas, logo também o autocarro vai no ferry. Durante a viagem, carros e autocarros vão de tal modo juntos, que não há espaço para abrir portas. Do mesmo modo, quem viaja em quatro rodas permanece dentro do transporte! Agora, imaginem, aquela coisa a afundar e estar dentro de um camião ou de um autocarro, sem poder sair ou abrir portas! Sem comentários!

 

5. O clima da Indonésia

Recordo-me que quando decidi ir de viagem para a Indonésia, em 2016, estava em Berlim, ou seja, eu queria era sol e calor, pois estava fartinha do inverno berlinense! Assim que cheguei levei com um calor insuportável na tromba! Lembro-me que era um calor que doía, daqueles que faz moça! Afinal, o país está ao nível do equador, logo o clima é bem húmido! Assim sendo, de maio a setembro são, por norma, os melhores meses para viajar na Indonésia!

6. A comida na Indonésia

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Torrada com queijo e chocolate – ou a prova em como foram os holandeses a colonizar a Indonésia

Deixemo-nos de temas mórbidos e falemos de coisas boas: COMIDA! Bem, quanto a comida na Indonésia, basicamente a coisa vive de ora de arroz, ora de noodles e não sai muito dali.

Quanto ao prato mais típico, sem dúvida que o Nasi Goreng ganha, Basicamente é um prato de arroz com vegetais e ovo nas suas mais variadas expressões – bife, vaca, sea food (três camarões) e nada de porco! Afinal estamos num país muçulmano! O Gado-Gado e a sopa são também muito populares. Aliás, adorei as sopas, embora acabasse sempre por misturar água, porque faz muito, mas muito (mesmo muito, muito!) calor. Assim, fresquinhas, sabiam-me à vida! Isso e a fruta! E os sumos de fruta!

No entanto, custa-me a entender como é que um país com uma costa tão grande e com vizinhos tão saborosos como a Malásia, a comida seja tão desinteressante. Posso estar enganada, mas olhando a comida do Sudeste Asiático, a gastronomia da Indonésia pareceu-me mesmo a mais chatinha!

E não se esqueçam, estão a viajar na Indonésia, logo é comer com as mãos.

 

Comer no padang

E não deixem de ir aos restaurantes de rua, aos Padang, onde se come (e bem) a menos de um euro! No Padang, serve-se há vários tipos de comida (sempre com arroz) e molhos à escolha. Quanto à proteína, têm carne, peixe frito, etc.No fundo, são como um buffet, onde é só chegar, apontar para o que se quer e comer. Uma das minhas coisas favoritas era um molho, bem intenso, de carne. Delícia. Isso e o frango frito. Eu só comi uma vez KFC e posso assegurar-vos que o da Indonésia dá-lhe 10 a zero!

 

7. A Indonésia é caro

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Floresta dos Macacos em Ubud (Bali)

É.
Não é.
Sinceramente, acho que Bali pode ser caro. Por exemplo, o que é de turismo (puro e duro) é caro – comer aqui, conseguia ser mais caro do que em Berlim. Aliás, só em Java é que começamos a poupar significativamente.

Uma coisa é certa: na Indonésia há assumida e claramente dois preços: o preço para locais e o para turistas. Isto é assumido e não representa um constrangimento para ninguém. Além disso, ter capacidade para regatear é também importante. Isto nas lojas, nos transportes, mesmo nos táxis, esqueçam lá isso! Deve haver um pacto interno entre aquela gente!

No final e bem organizado, gasta-se pouco; mas como disse anteriormente, não é um país fácil para viajar. Por vezes, aquilo que poupamos num hotel barato e com baratas, acabamos a gastar num táxi. Por isso, é que acho importante ir bem orientado e com tempo se vão viajar na Indonésia!

Além disso, é importante não esquecer que apesar dos megalómanos centros comerciais de Jacarta, dos carros de vidros esfumados e dos hotéis de luxo, a Indonésia é um país onde muitos vivem com menos de dois dólares por dia. Muitas pessoas alimentam-se do que cultivam e onde é comum ver professores e outros funcionários públicos, dedicarem-se  a outros negócios secundários, assim como à prática da agricultura de subsistência. Há ilhas onde a electricidade não chegou (usam-se geradores) e onde carros não entram.

Simultaneamente, é também um país muito corrupto. Aliás, sempre que se fala de dinheiro, vem sempre o tema da à baila!

 

8. O que visitar na Indonésia?

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 Tempo Pura Ulun Danu Bratan, em Bali

Praia, ioga, templos: este é possivelmente o principal cartão postal da Indonésia, mais particularmente de Bali. Aliás, verão que Bali possui ofertas de turismo para jovens mochileiros e para reformados, enfim: agrada a todos. Além disso, Bali está-se a tornar numa Puket (na Tailândia) de festas loucas, música pum-pum-pum e muito álcool e selfies! Pessoalmente, acho que a Indonésia merece muito mais do que isso!

Os templos do século VIII de Borobudur (perto de Yogyakarta) ou a Floresta dos Macacos em Ubud (Bali) são dos locais mais visitado na Indonésia. Também no top 10 está a ilha de Komodo, com particular para os parques naturais onde vivem os Dragão-de-komodo – também conhecidos como crocodilos-da-terra é a maior espécie de lagarto na terra. Pelo meio, há também elefantes, orangotangos, macacos e rinocerontes.

Outra atracção da Indonésia são os mais de 100 vulcões activos! De vez em quando lá há umas erupções e voos cancelados e aeroportos fechados. Saibam que podem fazer trekkings pelos vulcões do país, assim como passeios nocturnos, com direito a ver o sol nascer no topo do vulcão.
Além dos terraços e campos de arroz (lindo!), da imensa selva e vegetação (mesmo à beira da estrada), a Indonésia tem uma costa infinita para praia, ideal para surf e para a prática do mergulho.

Quanto à capital da Indonésia, Jacarta e os seus arranha-céus ,vale a pena pelo contraste e mistura. Verão que ao lado de um hotel de cinco estrelas, facilmente encontram um canal fedorento ou uma uma lixeira a céu aberto – só vendo!

 

9. E as pessoas na Indonésia?

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Templo de Borobudur, perto de Yogyakarta

Pessoalmente, tenho muito boas memórias, pois as pessoas são mesmo incríveis, muito educadas e simpáticas. Em alguns sítios, sentia-me uma Lady Gaga de tantas fotografias que me tiravam, mas mesmo assim as pessoas conseguiam fazê-lo de forma educada. Em Yogokarta, num espectáculo de teatro de sombras wayang kulit, acabei na orquestra a tocar xilofone – e eu que nem com os ferrinhos me safo!

Mesmo na capital, em Jacarta, tinha sempre aquela sensação de aldeia. De sorrir a toda a gente e dizer “olá” a todos por quem passamos. Muita gente perguntava de onde éramos. Já em Bali era comum o de onde vínhamos e para onde íamos. Descobri depois que era uma pergunta comum, uma coisa bem hindu, que simboliza o balanço e o equilíbrio, remetendo para a importância de saber de onde viemos e para onde vamos – bonito!

 

10. Viajar sozinho na Indonésia

Ao contrário de uma viagem ao Japão, se estão a pensar viajar na Indonésia sozinhos, parece-me uma boa ideia e um bom destino. Embora tenha ido acompanhada, acho que este é um bom país para se explorar em modo solo! O país é seguro, além disso as pessoas são amigáveis. Outra vantagem é que há viajantes de diferentes idades, o que facilita quer para encontrar actividades, quer para meter conversa – até, porque com certeza, irão encontrar outros viajantes a viajar sozinhos!