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O lado bom do turismo negro

Recentemente, tenho ouvido falar muito de turismo negro.Ou seja, um tipo de turismo que está associado a visitar lugares associados à morte e destruição ou a histórias de horror e/ou arrepiantes.

 

A culpa é de Chernobyl da HBO

Parece que a culpa é de Chernobyl, uma série da HBO focada nos acontecimento que deram origem à explosão nuclear, assim como aos eventos que se sucederam. Cheguei a ler que o interesse turístico tinha aumentado, com a procura de tours a Chernobyl, a subir 40%!

Obviamente que o que não faltou foi gente a criticar. Fosse pelo efeito da série, como se só agora, Chernobyl passasse a existir. Ou pela morbidez alheia, associada à vontade de tirar selfies, num local de horror, onde tantos morreram! Isso, e a estupidez, afinal ainda existe altos índices de radiação na zona, que se encontra interdita ao público.

A verdade é que apesar da actual mediatização, visitar Chernobyl não é algo novo, nem de hoje. Sempre houve quem se aventurasse com tours a Chernobyl, visitando zonas onde a radiação está mais controlada ou até sozinho ou com amigos. Há até os maluquinhos que se põem a explorar zonas com altos níveis de radiação.

 

O lado bom da coisa

Todavia, se pensarmos bem, Chernobyl não é um caso único.

  • Hoje em dia, para quem vai a Nápoles, apanhar um comboio até Pompeia é quase obrigatório.
  • Ir a Nova York e não visitar o Ground Zero do World Trade Center é quase um insulto para com as vítimas.
  • Do mesmo modo, também visitar Auschwitz em Cracóvia é visto como educativo e são muitas as escolas que organizam visitas de estudo a este local. E quem diz XX, diz os campos de concentração de Tuol Sleng, situados no Cambodja ou no Ruanda.
  • O mesmo acontece com a Prisão de Robben Island em Cape Town vista como um símbolo da residência de Mandela e de toda uma nação.

Enfim: assim como estes, há outros. Contudo, visitas a estes locais nunca estão associados ao lado pejorativo do turismo negro. São, sim, encarados como locais históricos e de interesse. Sítios que nos recordam lições e vivências que não devemos esquecer. Muitos destes locais, como Auschwitz ou a Prisão de Robben Island superam a memória de um país. Ou seja, fazem parte da memória colectiva de todos e da superação do bem contra o mal. Contudo, não podemos negar que para outros, individualmente, estes são sítios de pesar. Afinal, houve quem ali perdesse familiares e amigos.

Por exemplo, no Campo de Concentração de Auschwitz é comum encontrar flores espalhadas, assim como ramos em alguns retratos. Para muitos, é um cemitério. Por isso, mais do que julgar é preciso saber as intenções de cada um e saber respeitar o espaço, onde se está. Afinal, não é porque está em viagem que é tudo permitido!

Talvez, com o tempo, Chernobyl venha a conseguir também este estatuto. Afinal, também Chernobyl nos ajuda a recordar não só os perigos da energia nuclear, como de um Estado que falhou na hora de dar resposta aos seus cidadão – e cidadãos dos países vizinhos. Não deveria ser isto, algo que ninguém deve esquecer?