Classe-Executiva-Emirates

Sim, eu já viajei na Classe Executiva da Emirates

Antes de me pôr aqui a falar da Classe Executiva da Emirates, que fique claro eu viajei de Executiva da Emirates. Agora que estamos devidamente esclarecidos, fica o testemunho (comovente e tocante) na primeira pessoa.

Para que começar, é triste mas não, eu não comprei o bilhete! Todavia, tivesse eu dinheiro só viajava assim. Infelizmente, também não tive a Emirates a mandar-me um bilhetinho – mas, Emirates, amiga, quando quiseres: estou às ordens.

O que aconteceu foi que tive direito a um upgrade de classe. Isto é a prova de que onde há fumo há fogo e que há mitos com fundo de verdade. Logo, há esperança para vocês! Também é verdade que isto já aconteceu há anos, quando a Emirates estava bombar e a entrar no mercado Europeu, cheia de opções de voos baratos e era do mais fofa que há. Mesmo assim, ainda hoje, continua a bater forte cá dentro!

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Corria o ano de 2012, quando:

Ora, continuando: depois de umas férias pelo sudeste asiático, tinha eu o voo de regresso de Banguecoque para Madrid, com escala no Dubai. Quando em Banguecoque, fiz o check-in, a senhora disse-me qualquer coisa como:

– Oh menina, não quer apanhar o voo seguinte para o Dubai, ka-gente passa-a para a Executive? – isto assim, em letras grandes e em inglês, mas num inglês fraquinho.
Eu que além de cega, sou surda, achei que tinha ouvido mal, mas disse que sim, que sim senhora. Afinal eu sou uma alma caridosa e, em boa verdade, esperar mais umas horas na Tailândia ou no Dubai, dava-me igual. A verdade verdadinha é que não assimilei bem a informação e, na hora, o upgrade de classe, não fez soar nenhum sino nesta cabecinha oca!

A chegada à Classe Executiva da Emirates

Chegada à fila… bem, qual fila?! Literalmente, foi ver-me passar! Por uma porta exclusiva, claro está, de onde nem se vê a plebe e a ser tratada por Miss! Eu suada e suja, de sandállias,…!
Chegada ao avião, champanhe? Ora pois, claro que sim! Para acompanhar, umas entradinhas de caviar, que casa sempre bem!
Sentei-me, num lugar individual e quase tão espaçoso como a casa-de-banho de de uma casa onde vivi Madrid. De pernas esticadas e refastelada na minha poltrona, estava eu entretida a abrir a bolsa (com creme para as mãos Carolina Herrera, creme para cara Armani, desmaquilhante Channel, etc.).

Até que chega a fofa da hospedeira, sorri e me diz:
– Poderia levantar-se, por favor!
“Pronto!” pensei eu “Acabou-se! Descubriu-me! Esta já sabe que eu não pertenço aqui e vai-me já mandar para a turística!” E eu, que já me estava a habituar à manta fofinha e às meias de lã nos pés, agarrei-me à almofada e dei luta, perguntando quase em lágrimas:
– Pp-ppppp-p-porquê?
– Para lhe fazer a cama – respondeu-me a lindona da Emirates
Oi? Como? Fazer-me a cama? A mim? No avião? Ai-jazus! Ela quer-me fazer a cama? E, sim, lá tinha ela no seu regresso os lençóis cheirosos,. Intimidade e cheia de agradecimentos, disse-lhe que não. Sinceramente, achei que já era demais e um pouco de humildade cai sempre bem.

Durante o voo:

Eu que me ajeito a dormir em todo o lado, seja no chão da cozinha, a passar por terrenos esburacados ou em barcos, fiz questão de não pregar olho naquele voo… Vi filmes, num écran maior do que o do meu portátil. Bebi vinho do Porto. Comi salmão com caviar e bebi suminho de laranja natural ao pequeno-almoço. Aliás, comi num avião, onde podia mexer os cotovelos, usei talheres a sério – e não aqueles ranhosos de plástico!Foi-me apresentada uma refeição e não comida metida num tetris de plástico. Fui feliz. Sobretudo no bar – sim, há bar aberto nos aviões da Emirates!

O fim do voo:

Terminado o voo, tive de ser arrancada à força. Ok, nem tanto, mas pude sentir uma lágrima! Sair no Dubai na Classe Executiva da Emirates, para depois ir esperar pelo próximo avião, sentada no chão, à porta da Turística… foi desolador.

Ainda hoje, quando faço uma viagem longa, o meu coração enche-se de esperança por um upgrade, mas nada.  Agora entendo, quando dizem, que ninguém sabe o duro que é ter tudo e passar a ter nada!